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Política e Sociedade

O negro e a consciência

29 NOV, 2017 Autor: José Roberto Abramo
O negro e a consciência (29/11/2017)

ORIGEM do Dia da Consciência Negra A data é celebrada em 20 de novembro para lembrar Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares Uma lei federal de 2011 a de nº 12.519, institui o “20 de novembro” como Dia Nacional da Consciência Negra. Mas, porquê?

   ORIGEM do Dia da Consciência Negra


A data é celebrada em 20 de novembro para lembrar Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares

Uma lei federal de 2011 a de nº 12.519, institui o “20 de novembro” como Dia Nacional da Consciência Negra.

Mas, porquê?

Em 20 de Novembro de 1695 foi assassinado pelas tropas coloniais brasileiras Zumbi, o líder do quilombo dos Palmares.

A Historiadora da Fundação Cultural Palmares, Martha R. Queiroz nos diz que a data é uma forma encontrada pela população negra para homenagear o líder na época dos Quilombos.

Lembrando que um Quilombo é o nome dado no Brasil aos locais de refúgio dos escravos fugidos de engenhos e fazendas durante o período colonial e imperial. Nesses locais, os escravos passavam a viver em liberdade, criando novas relações sociais.

Existiram muitos Quilombos e ainda existem no Brasil.

O mais conhecido, o Quilombo de Palmares ficava onde hoje é o estado de Alagoas. É considerado o maior Quilombo territorial. Durou 100 anos. O principal líder do Quilombo de Palmares foi Zumbi. Em seu auge, chegou a abrigar de 25 mil a 30 mil negros.

 

A Consciência

O Sociólogo Jessé Souza esclarece em seu novo livro (A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava-Jato) que o que define a sociedade brasileira é a Escravidão e não a corrupção como muitos supõem. “É a escravidão o que de fato marca a sociedade brasileira”.

 

A Escravidão

Jessé argumenta que o indivíduo é criado pela ação diária de instituições concretas, como a família, a escola, o mundo do trabalho.

O escravo liberto de ontem prossegue sua jornada civilizatória como o escravo de hoje a “ralé de novos escravos”. Mais de um terço da população, submetida à funções indignas e remuneradas de maneira abjeta. Nossa população em grande parte mestiça, vem a ser destinatária da super-exploração, do ódio e do desprezo que se reservava ao escravo negro. O assassinato indiscriminado de pobres é atualmente uma política pública informal de todas as grandes cidades brasileiras. Nas cadeias estão majoritariamente pessoas pobres e principalmente negras.

O racismo ainda não é um assunto discutido abertamente entre os brasileiros. O preconceito sobre os negros e os seus descendentes encontra-se na história recente do Brasil, principalmente nos três séculos de escravidão. Após a Abolição foram escassas as políticas de inserção desses sujeitos na sociedade, e por isso, dificilmente conseguiam ascender socialmente e atingir status social dos homens e mulheres brancos. Os negros para se sentissem aceitos, faziam o possível para ocultar os traços étnicos e dessa forma conseguirem algum benefício social.

 

Denis de Oliveira também ressaltou:

Percebe-se que esta ideologia do racismo manteve a sua estrutura fundamental, só alterando as formas da sua manifestação. No período da escravidão, os negros eram sem alma, eram não humanos, portanto passiveis de serem tratados de forma desumana; na transição da escravidão para o assalariado (historicamente baixa remuneração), os negros eram incompetentes para trabalhar no novo sistema de contratação, portanto passives de serem excluídos do mercado formal de trabalho; em seguida, os negros tinham como alternativa de inserção social a assimilação dos valores brancos inclusive pelo mascaramento de características visíveis da sua origem via miscigenação; (OLIVEIRA, 2000, p.83-84).

Observamos que existem brincadeiras e as piadas feitas sobre os negros, pela sociedade traduzem que os negros na sociedade brasileira não são respeitados. Os negros são vistos com raça inferior, sujos, perigosos, e isto em si é o preconceito.

E é o preconceito que gera agressões aos negros e seus descendentes. Em estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apresentou dados críticos sobre as chances de um negro ser assassinado no Brasil qual seja muito maior do que as de uma pessoa que não é negra:

"A maioria dos homicídios que ocorrem no Brasil atinge pessoas jovens: do total de vítimas em 2010, cerca de 50% tinham entre 15 e 29 anos. Desses, 75% são negros".

 

Outro estudo, nos diz:

‘Em "Vidas Perdidas e Racismo no Brasil", apontou que, além da situação socioeconômica e do acesso desigual às políticas públicas, também o racismo da sociedade brasileira tem influência direta nos elevados índices de mortes violentas de negros’.                 

Então o negro é discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e pela cor de pele.

Uma pesquisa Abril/Mind/Minders encomendada pela Revista Veja, 98% dos entrevistados admitiram que há, com certeza, racismo no país. E 1% dos pesquisados puderam ser classificados efetivamente com muito preconceituosos. Um percentual de 54% se situam como não preconceituosos. Outro dado importante que emerge da pesquisa é que 72% dos negros afirmaram já ter sofrido alguma forma de discriminação. E em comentário final a reportagem uma conclusão a respeito de um paradoxo, que revela o Brasil um país de muito racismo, mas de poucos racistas.
 
   
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