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Política e Sociedade

Entendendo as Questões de Gênero

01 NOV, 2017 Autor: JOSÉ ROBERTO ABRAMO
Entendendo as Questões de Gênero  (01/11/2017)

O LINK SABER Hoje vai falar de Gênero, suas questões, e a forma como a ciência atual vê a evolução dos conceitos das Identidades.

                Entendendo as Questões de Gênero

 

A medida que a ciência olha com atenção a questão do ser masculino/feminino e como estes vem a responder como Homem ou como Mulher no seio da sociedade, fica mais claro que um par de cromossomos não basta para distinguir menino/menina, tanto no que se refere ao sexo biológico, com nas questões de Gênero, ou seja nas questões de Identidade Social.

Embora algumas pessoas temam que os estudos que mapeiam e modificaram alguns parâmetros na visão de Gênero e Sexualidade, sejam fruto do trabalho da Ideologia de ativistas políticos, mas o fato é que os estudos têm avançado para esclarecimentos que dão conta de que as medidas e paradigmas até aqui elaborados pela nossa visão cultural e científica sofreram modificações profundas, como revelam as pesquisas.

Uma onda de descobertas ressalta que existe uma influência do gênero em várias áreas da cognição e do comportamento, incluindo memória, emoção, visão, audição, processamento de rostos e resposta do cérebro aos hormônios do stress. Essas pesquisas avançaram nos últimos dez anos com o uso de técnicas de imageamento como a tomografia e a ressonância magnética funcional (RMf), com as quais é possível observar o cérebro em ação.

Tais experimentos com imagens revelam que as variações anatômicas ocorrem em uma série de regiões do cérebro. Para estudar o ser humano temos de levar em consideração a influência do sexo no cérebro, isto para poder avaliar como fazer as intervenções em saúde que serão diferentes para homens e mulheres, biologicamente falando. Embora havendo esta diferenciação quanto à abordagem terapêutica, nada comprovou que a diferenciação é fator que possibilite concluir que as aptidões lado a lado de homens e mulheres diante dos desafios da vida sejam a favor de uma superioridade de qualquer um sobre o outro. Portanto, a diferenciação, se habilita um sexo biológico que por evolução da espécie favorece um comportamento, em outro sexo biológico, outras as habilidades sobressaem, o que no final das contas se completam para o bem da espécie.

Já no início da vida a família, a escola, e a sociedade tratam com o figurino de adequação a quem desafia as normas de papéis masculinos e femininos. Ou seja, pretende-se que o sexo biológico seja o parâmetro adequado para que se configure um simbolismo do menino e da menina na sociedade. Assim, isto seria um parâmetro sujeito à correção ou educação, e portanto, o esperado. Em outras palavras estamos falando de opções culturais e/ou estereótipo.

Então a ciência atual diz cada vez mais que diferenças existem, mas homens e mulheres podem atuar em qualquer área sem prejuízo da função, uma vez que, embora existam preferências comportamentais, a capacitação é escolha pessoal e irrestrita.

A seguir, uma discussão sobre sexo, sexualidade e gênero

Por incrível que pareça, quem tem ensinado a escola a agir no respeito à diversidade tem sido os próprios estudantes nas escolas.

"Na contemporaneidade, multiplicaram-se os grupos, os sujeitos e os movimentos, as maneiras de se identificar com gêneros e de viver a sexualidade. Não há apenas uma forma de ser, mas tantas quantas são os seres humanos", afirma Guacira Lopes Louro, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), referência na área de estudos de gênero. Jovens tem convidado a sociedade a uma reflexão sobre nossas próprias ideias de masculino e feminino, hétero, homo ou bi, coisas de menino e coisas de menina. É preciso então falar de sexo, sexualidade e, sobretudo, gênero.

Ideias e Conceitos:

Vale desfazer a confusão entre esses conceitos.

- O sexo é definido biologicamente. Nascemos machos ou fêmeas, de acordo com a informação genética levada pelo espermatozoide ao óvulo.

- A sexualidade está relacionada às pessoas por quem nos sentimos atraídos.

- O gênero está ligado a características atribuídas socialmente a cada sexo.

O gênero tem sido uma categoria social imposta sobre um corpo sexuado. Mas a ciência discute:

“É importante observar que fatores ambientais podem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de comportamentos adquiridos, evoluídos. Mudanças culturais não vão contra a natureza, apenas as reescrevem”. A Nova Ciência de Sexo e Gênero – SAB – p. 34 nº177. 2017

A leitura atual parece querer descobrir quais comportamentos e visões da sociedade estão valendo. Como foi a evolução de acordo com séculos de desenvolvimento e mudanças de vários paradigmas. Aliás, a sociedade não é estática. E, o sexo biológico, ainda que se espere isto, não é suficiente para definir o comportamento social.

O que se sabe hoje em dia é que o dualismo heterossexual/homossexual não é capaz de abarcar as formas de desejo humanas. Os estudos sobre o tema dizem que a orientação sexual se distribui num amplo espectro entre esses dois polos. É provável que a definição sexual se dê pela interação entre fatores biológicos (predisposição genética, níveis hormonais) e ambientais (experiências ao longo da vida). Mas não há certezas. O guia Sexual Orientation, Homossexuality and Bissexuality, da Associação Americana de Psicologia, resume: "Não foram feitas, por enquanto, descobertas conclusivas sobre a determinação da sexualidade por qualquer fator em particular. O tempo de emergência, reconhecimento e expressão da orientação sexual varia entre os indivíduos". https:/ovaescola.org.br/conteudo/80/educacao-sexual-precisamos-falar-sobre-romeo

Em Resumo:

Sexo biológico – assume-se frequentemente que é o sexo cromossomático ou o sexo genital, que pressupõe capacidades reprodutivas.

Identidade de género – sentimento de ser do gênero feminino (mulher) ou do gênero masculino (homem) independentemente da anatomia.

Expressão de género – diz respeito aos comportamentos, forma de vestir, forma de apresentação, aspeto físico, gostos e atitudes.

Orientação sexual – refere-se ao que cada pessoa pensa e sente sobre si própria e sobre a sua afetividade e sexualidade e por quem se sente atraído afetiva e sexualmente.

Então:

   - heterossexual se se sente sobretudo atraída por pessoas de género diferente

   - homossexual se se sente sobretudo atraída por pessoas do mesmo género

   - bissexual se se sente atraída por pessoas de ambos os géneros.

Na abordagem de Gênero como construção social desconfia-se dos dualismos universais que colocam homens e mulheres com características fixas, diferentes, sempre opostas (daí o dualismo ou binarismo) e que pretende universalizar essas características como se mulheres fossem iguais em todo o mundo, todas as culturas ou até mesmo dentro de uma mesma sociedade. Assim como os homens e seus pares.

Na escola ou fora dela o tema sexualidade se mostra bastante polêmico e elege tabus quase instransponíveis, como se pensar sobre isto fosse o rastilho de pólvora da contaminação da sociedade e portanto, a degeneração da família. Até por isso se deve trazer a luz da ciência para iluminar estes muros de concreto. A sexualidade é vista de forma restrita e sempre associada ao ato sexual. Isto desconsidera a relação com o próprio corpo, o prazer e o desejo. Que não são inatos fixos para a todos que ostentam o mesmo sexo biológico.

Então sexualidade não é sinônimo de sexo. É energia que venha a possibilitar encontros, trocas e experiências. Está aí para influenciar os pensamentos, ações e interações e, portanto, tem a ver com saúde mental, irrevogavelmente. E esta abordagem nada tem de subversivo e antinatural. É antes o diagnóstico do que se percebe no seio da sociedade sem que a sua grossa maioria tenha sido abordada por “Ideologias de Gênero”. Ninguém inventou isto. Houve uma descoberta com base em estudos e observações de muitos séculos e de muitas culturas.

Na atualidade ocorre que o sexo tem se transformado em mercadoria. Faz parte da liberação sexual imaginar que o sexo pode ser massificado e consumido sem qualquer critério ético e moral. E de outro lado existe o conservadorismo, ou uma resistência conservadora, de algumas correntes que formam a ideia que já vem secularmente, de que o sexo é sujo, é feio, pecaminoso, e a purificação ocorre por meio da estabilização das relações heterossexuais. A tal ponto que correntes mais radicais aventam a hipótese de “curar” aqueles que estariam em desalinho entre esses papéis.

É necessário desconstruir esse amálgama de sexo – ato sexual, e sexualidade.

A liberação irrestrita, mas também a repressão geral, serão modelos inadequados para que as pessoas se respeitem, mantenham a autoestima, e vivam por direito a sua sexualidade com responsabilidade social.

O que dizem as pesquisas?

O desenvolvimento nas crianças trans é notavelmente similar e precoce como o são em crianças cis (não trans). Uma menina trans (ou seja, que é biologicamente um menino) tem toda a aparência com meninas em todas as idades. E não são parecidas com meninos. Com meninos trans acontece a mesma coisa.

Por exemplo, si meninas adoram vestidos de princesa e meninos evitam cores tais como rosa, as meninas trans (que são biologicamente meninos) também assim se manifestam, assim como os meninos trans (que biologicamente são meninas). Vários outros testes em idades bem precoce, reafirmam a identidade de gênero preponderante para estas crianças. O grau de preferência por roupas estereotipadas (aquelas que caracterizam um gênero simbolicamente), brinquedos, tendência de formar laços com membros de seu grupo de gênero, mostram a convicção desde novos de sua identificação. O que confirma que não é uma confusão imposta por qualquer ideologia, ou por criação das famílias. Tampouco é algo exatamente novo no seio da sociedade. Apenas não existiam estudos conclusivos como os temos agora.

Se é certo que meninos preferem carrinhos e meninas bonecas, como faz parte de uma tendência de acordo com as manifestações do simbólico do masculino e feminino, assim também os trans se expressam. Meninos e meninos trans (biologicamente meninas), assim meninas e meninas trans (biologicamente meninos), se manifestam nas pesquisas exatamente como o esperado para o gênero que se sentem identificar.

Quando predizem sua aparência no futuro, meninos e meninos trans se veem como homens e meninas e meninas trans, como mulheres. A confusão só se estabelece quando as pessoas que os circundam cobram deles atitudes diferentes ou os estigmatizam, ou quando tentam ensinar-lhes a ser aquilo que não são.

Em 2012, Gunter Heylens, da Universidade de Ghent, e seus colegas analisaram 44 conjuntos de gêmeos de mesmo sexo, embora alguns fraternos e outros idênticos. Naqueles pares de idênticos em que um manifestou ser transgênero, o outro também se manifestava. Os que fraternos, quando um manifestava ser transgênero, o outro não acompanhava. Porém, a pesquisa não determinou quais variáveis genéticas específicas estão envolvidas. Mas, ficou ao menos um dado, a transgeneração deve ter um princípio de causa genética. Isto diminui mais ainda a pretensa “culpa” jogada sobre essas pessoas.

Outro fator importante é que a estrutura cerebrais de pessoas trans se assemelham às de indivíduos com a mesma identidade de gênero. Ou seja, a neurociência demonstra que a menina trans e a menina, tem a mesma estrutura cerebral. Da mesma forma meninos e meninos trans.

Porém, a coisa parece mais complicada quanto mais a neurociência avança. Mesmo entre pessoas de mesmo gênero (identificados, trans ou não), parece existirem diferenças confiáveis de sexo (ou de gênero) em cérebros. Não há conclusões definitivas sobre as correlações genéticas e neurais de identidade de gênero. O que pode estar dizendo que existem nuances e vários matizes de identidades sexuais. Porém, nem todas as crianças que desafiam estereótipos de gênero são trans. Aliás a Psicologia está ai para ajudar a separar trigo do joio.

Pesquisadores estão estudando e reconhecendo cada vez mais que existem pessoas com identidades não binárias. Algumas pessoas parecem se situar não como homens e mulheres, mas algo entre as duas coisas. Os Estudos ainda precisam avançar mas, as identidades destas pessoas , não é pelo plenamente masculino ou feminino.

Encontrar respostas é difícil porque muito da definição de gênero é cultural. E às vezes é moldada, antes que possamos intervir para retirar dúvidas. Assim, pessoas que se situarem fora das fronteiras do masculino, feminino e trans, serão de difícil averiguação.

Precisamos esperar para construir uma teoria mais densa e com mais suporte.

 

Assista o vídeo em: http://www.linksaber.com.br/ta-na-rede/exibir/id/138/TA-NA-REDE.html

 

https://www.sertao.ufg.br/up/16/o/ORIENTA%C3%87%C3%95ES_POPULA%C3%87%C3%83O_TRANS.pdf?1334065989

 

Revista Scientific American Brasil Ano 16 – nº 177 – Outubro 2017.

 

 

 

 

 

http://leg.ufpi.br/subsiteFiles/ppged/arquivos/files/VI.encontro.2010/GT.15/GT_015_05_2010.pdf

 

 

 

 

http://www.scielo.br/pdf/es/v38n138/1678-4626-es-38-138-00009.pdf

 

 

 

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98931995000100002

 

 

 

https:/ovaescola.org.br/conteudo/80/educacao-sexual-precisamos-falar-sobre-romeo

 

 

 

http://www.jornalnh.com.br/_conteudo/2016/09/blogs/cotidiano/questao_de_genero/1992681-a-psicologia-e-as-pessoas-trans.html

 

 

 

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2015000300005

 

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=BqhSNuZz4mQ

 

 

 

 

 

https:/ovaescola.org.br/conteudo/80/educacao-sexual-precisamos-falar-sobre-romeo

 

 

 

 

 

   

 

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