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Meio ambiente

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 4

17 OUT, 2019 Autor: José Roberto Abramo
Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 4 (17/10/2019)

 No post de hoje, temos a quarta e última parte dos textos na minha coluna relacionados a Amazônia. Hoje, abordamos os recursos da Amazônia e suas potencialidades e como as mesmas são exploradas.

 

Potencial Hidrelétrico da Amazônia

A Bacia do Rio Amazonas é a que apresenta maior potencial hidrelétrico do Brasil. Esse potencial é de, aproximadamente, 96,6 mil MW (MegaWatts), dados da Eletrobrás valores contabilizados em dezembro de 2016.

Como a matriz energética brasileira é mantida hidrenergética, isto vai implicar uma expansão na Amazônia, segundo demanda não apenas local. Na Amazônia já se encontra 52% do potencial hidroenergético brasileiro. Mas, preservar a biodiversidade e a região amazônica face à demanda energética é um desafio para os próximos 30 anos ou mais.

É fundamental uma integração de ciência e tecnologia e planejamento de gestão de recursos para se prosseguir com o projeto de hidroeletricidade.

A construção de Hidrelétricas prevê áreas inundadas. O efeito da área inundada é a decomposição da vegetação terrestre e deterioração da qualidade da água. Considera-se também perda de ecossistemas terrestres e aquáticos, notoriamente a biodiversidade.

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Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Nos últimos cinquenta anos a construção de reservatórios provocou alteração nos mecanismos de funcionamento de rios, lagos, áreas alagadas, pântanos, em vários pontos do Brasil. Ocorre que para a perda do potencial agrícola das áreas submersas não há como atenuar as perdas. Porém, para os outros impactos a solução é o monitoramento, ou seja, acompanhar a evolução no espaço e no tempo.

Mas além da maior Bacia Hidrográfica do mundo, temos ali também o SAGA – o Sistema Aquífero Grande Amazônia. Descoberto por pesquisadores da Universidade Federal do Pará, possui 162.520 km³, que abrigam de forma subterrânea mais de 150 quatrilhões de litros de água. Para comparar o aquífero Guarani tem 39 mil km³ de capacidade.

Biodiversidade  – Flora e Fauna Amazônica

Estudiosos e especialistas suspeitam que a região amazônica concentra mais de um terço de todas as espécies vivas do planeta. No entanto, esses dados têm de ser conferidos porque os ecossistemas geram novas espécies a todo tempo e assim são catalogadas. Somente o IBGE já identificou 70 tipos de vegetação que não foram alterados pelo ser humano.

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Os números catalogados perfilam no entorno de 3.000 espécies de peixes, mais de 1.300 espécies de aves e algo como 30.000 espécies de plantas. Cerca de 1.800 espécies de borboletas; 427 espécies de anfíbios; 378 espécies de répteis. Reconhecidas 3.000 espécies de abelhas e no entorno de 300 espécies de mamíferos. Muitas dessas espécies só existem na região amazônica.

Navegação

Em se falando de navegação consideramos que a região em sua extensão, teria de ter para seu pleno desenvolvimento econômico, um sistema de navegação adequado. Mas não é exatamente isto que ocorre. Algumas distâncias, só para exemplificar, seriam: Belém – Sena Madureira – 7.740km; Belém – Xapuri – 8.325km; Belém – Cruzeiro do Sul – 8.580km.

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A região convive com fretes rodoviários caros, o que quase se tornam impostos para as populações. As estradas sempre necessitam caras manutenções, porque são erodidas pelo tipo de clima da região. Face a isto o sistema de navegação é inadequado. Obsoleto, e até perigoso. Sem contar o sem número de balsas que mais poluem do que transportam.

Devido à magnitude das distâncias, a região padece de dificuldades de exploração e povoamento.  Os deslocamentos o são o mais das vezes em canoas a remo ou à vela levando dezenas, senão centenas de dias de viagem, pelo Amazonas e dos seus afluentes.

A navegação como fator de desenvolvimento da Amazônia é estratégica, porque é básica para o desenvolvimento, dado que sem o transporte, estrangula-se o processo produtivo.

De toda forma, a navegação fluvial tem sido de modo o principal apoio de sustentação e de desenvolvimento da economia amazônica. As necessidades e o perfil do homem amazônico, tem no rio sua condição de vida.

Pesca

A relevância da atividade da Pesca e aquicultura é provada se verificamos que ela emprega cerca de 35 milhões de pessoas estão diretamente envolvidas, em tempo parcial ou integral, número que supera a população de muitos países. Deste total, 95% são oriundos de países de economias frágeis, ou países em desenvolvimento e subdesenvolvidos.  Maioria das pessoas envolvidas é composta por pescadores de pequena escala.

Porém 35% da produção mundial de pescados vem de países asiáticos, China, Vietnã, Índia, Bangladesh, Filipinas e Indonésia.

Das populações de peixes de importância comercial, em torno de 75% são utilizadas em excesso, o que faz caminhar para o esgotamento dos estoques. Nos últimos 40 anos a demanda quase duplicou, incluindo águas interiores. Esta tendência aconteceu em função do crescimento populacional e, portanto, deve continuar aumentando. É fato que bilhões de pessoas têm a pesca de peixes, de moluscos e crustáceos, como sua principal ou única fonte de proteínas

Como não poderia ser diferente a pesca para a Amazônia é uma atividade importante como fonte de alimento, comércio, renda e também o lazer. Principalmente as que residem nas margens dos maiores rios como os Solimões e Amazonas.

Os padrão tecnológico da pesca amazônica entre os anos de 1950 e 1970 foi elevado gradualmente.  Aparelhos de alta capacidade de captura, uso de motores a diesel nas embarcações de pesca, aumento na fabricação de gelo e expansão da pesca comercial, incentivados por planos governamentais.

A demanda tem estado elevada e contínua. Atende a um mercado interno e externo.

A quantidade peixes na Amazônia não está especificada, porém estudiosos suspeitam de até 3.000, no entanto dezenas de espécies novas são descritas a cada ano.

As bases científicas e a percepção natural do pescador são suficientes para indicar o período de desova como o período mais apropriado para a defesa da espécie.

Mesmo assim, a diminuição de alguns estoques pesqueiros da região já é fato bastante conhecido, tanto pela redução da quantidade como do tamanho de algumas espécies.

Atividades potencialmente impactantes na Amazônia, são a cultura de soja, a mineração, a construção de barragens e estradas. Estes então são fatores importantes quando se trata de política ambiental voltada para a preservação e sustentabilidade dos recursos naturais.

É importante considerar quando falamos de sustentabilidade, que a redução dos estoques pesqueiros e outros mais efeitos negativos a se abaterem sobre as espécies, não tem origem exclusivamente na pesca, mas também dos impactos negativos, como a derrubada das matas ciliares, a destruição de nascentes, o assoreamento, a poluição e o represamento de rios.

 

Veja também

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 3 | Fala, Zé! 

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 2 | Fala, Zé! 

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