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Meio ambiente

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 3

11 OUT, 2019 Autor: José Roberto Abramo
Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 3 (11/10/2019)

 Nesta série sobre a floresta Amazônica, abordamos diversos pontos sobre suas características e questões relacionadas a política, sociedade, propriedade e outros. No post de hoje, abordamos as características geológicas e biológicas de seu bioma, que por ser extremamente diversificado, foi reconhecido como uma floresta auto suficiente.

Solo

O solo amazônico é pobre e arenoso. Possui uma restrita camada de matéria-orgânica que se encontra na superfície, conhecida como húmus. O húmus é repleto de vegetais em decomposição, também decomposição folhas, flores, animais e frutos é rica em nutrientes, mas abaixo deste “tapete”, temos um solo amarelo feito de argila e areia.

Os nutrientes presentes vêm das árvores que, ao se renovarem processam uma reciclagem. Neste solo está presente a partir disto, milhares de micro-organismos, insetos, fungos, algas e bactérias. E são estes que liberam os nutrientes que serão reabsorvidos pelas raízes das árvores. A sustentação da floresta também é garantida por temperaturas altas o ano todo, umidade relativa do ar elevada, e pouca variação climática.

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Se a camada superficial do solo é “lavada” pela abundância de chuvas, chamamos este processo de lixiviação do solo. A lixiviação é muito comum em regiões tropicais e equatoriais. O desmatamento aumenta a intensidade deste processo, pois quando as águas das chuvas escoam e vão formar os rios, arrastam uma infinidade de nutrientes e o solo fica mais pobre ainda se o processo fosse em áreas preservadas.

O solo amazônico não é propício para a agricultura. As várzeas, por apresentarem solos de fertilidade mais elevada, são eventualmente utilizados para fins agrícolas, no período em que não estão inundadas. As produtividades das culturas nesse ecossistema são mais elevadas do que nas terras firmes (onde não há alagamento), mas o cultivo contínuo, sem inundação dos rios, leva a decair essa produtividade.

Clima Amazônico

O clima da Amazônia é o Equatorial úmido. Temperaturas entre 220 e 280 durante o ano. Existem duas fases apenas: a seca e a chuvosa. O nível dos rios aumenta com a fase chuvosa e tanto a vegetação quanto a fauna e a flora são afetadas pelo clima.

Vegetação na Amazônia/Flora

Vegetação Amazônia

A floresta amazônica faz parte do bioma Amazônia, o maior dos seis biomas brasileiros. É uma floresta tropical densa, formada por árvores de grande porte.

A vegetação é dividida em Mata de várzea, Mata de igapó e Mata de terra firme.

Flora: Andiroba, jatobá, seringueira e samaúma, na Várzea; vitórias-régias, buritis, orquídeas e bromélias, na Igapó; vegetação de maior porte, como a castanheira, na terra firme. Essas são as principais.

Bacia Amazônica

Uma bacia hidrográfica é constituída por um ou mais rios principais e seus afluentes. O país detém 200 mil micro bacias espalhadas em 12 regiões hidrográficas, como a Amazônica — a mais extensa do mundo, sendo 60% dela dentro do Brasil.

O Brasil é privilegiado em disponibilidade hídrica. Em termos mundiais temos 12% das reservas de água doce, segundo a Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente. Porém, apresenta situações de contraste entre abundância, mas também a escassez. Por exemplo, em 2015, 170,55 milhões de pessoas ou, 84,3%d a população tinham acesso à rede de abastecimento de água com canalização interna.

Outros 13,7%, tinham acesso à água proveniente de poço, nascente ou canalizada de outra procedência (água de chuva, por exemplo). Esta pesquisa da UNICEF e Organização Mundial da Saúde de 2015, nos traz que 98,1% dos brasileiros tem de fato algum acesso à água, para uma base populacional no entorno de 202 milhões da época da pesquisa (2015).

Em relação ao território brasileiro a Bacia Hidrográfica Amazônica, representa 40% de nosso território. E é capaz disponibilizar 60% de recursos hídricos do país. Estes recursos disponíveis, no entanto, são pouco explorados. Em várias escalas do espaço Amazônico temos questões ligadas à água, por exemplo, no espaço regional, o regime de grandes rios, sua tipologia, disponibilidade hídrica, que por sua vez encontram questões relacionadas com o desmatamento, mineração, monocultura, entre outras, por ação do homem. Esta pressão humana sobre a região compromete a abundância de água. E as pressões, acontecendo em uma velocidade cada vez maior em um ecossistema sensível e vulnerável.

A Bacia Amazônica é a maior bacia hidrográfica do mundo com 7,05 milhões de quilômetros quadrados. No Brasil são 4 milhões de km². Tendo o rio Amazonas como a espinha dorsal da bacia, ela conta com grande quantidade de afluentes e canais, criados pelo processo de cheia e vazante.

A Bacia Hidrográfica da Amazônia possui grande quantidade de rios navegáveis, em termos de superfície 3.900.000 de quilômetros quadrados. Mais 23.000 quilômetros de rios recebem embarcações, que facilitam o transporte de pessoas e mercadorias na região.

O Rio Amazonas é o segundo rio mais comprido do planeta. Sua extensão seria algo como a distância do centro do Brasil ao centro do México. Seu nome nos países andinos é Rio Marañón. Ao entrar no Brasil, é chamado de Rio Solimões. E quando recebe as águas do Rio Negro, passa a ser chamado de Rio Amazonas.

Rios

Encontro dos rios Negro e Solimões, um dos mais famosos da região Amazônica.

A Bacia Amazônica drena aproximadamente 1/4 da área da América do Sul. Com 6.500km de extensão, o rio Amazonas é responsável por 20% da água doce despejada anualmente nos oceanos por todos os rios do mundo. Abriga o maior arquipélago fluvial do mundo, Mariuá, com mais de 700 ilhas.

Também o maior conjunto de rios do planeta, aproximadamente 1.700 rios e Mamirauá a maior Reserva Biológica inundada do planeta. A maior ilha flúvio-marinha do planeta, a ilha de Marajó, e o maior rio do mundo, rio Amazonas tanto em volume de água quanto extensão, também fazem parte da Bacia Amazônica.

A região hidrográfica da Amazônica é formada por córregos, restingas, praias, igarapés, matas inundadas, lagos de várzea, dentre outros. Bacia Amazônica tem muitos rios, entre eles, os principais: Rio Amazonas, Rio Negro, Rio Solimões, Rio Madeira, Rio Trombetas, Rio Purus, Rio Tapajós, Rio Branco, Rio Javari, Rio Juruá, Rio Xingu, Rio Japurá, Rio Iça.

A bacia Amazônica conta com mais de 3.000 espécies de peixes, além de caranguejos, algas e tartarugas. Estima-se que em um único dia, o Amazonas despeja no Oceano Atlântico mais água do que toda a vazão do Rio Tâmisa, em Londres, durante um ano inteiro.

Muitos dos rios brasileiros são de planalto e desaguam no mar, havendo um reduzido número de lagos dentro do território nacional. Por conta dessas características, nosso país tem um grande potencial hidrelétrico.

Veja também

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 2

Amazônia: como reverter a sua degradação? – pt. 1

 

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