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Qual a importância de se viver o Folclore?

18 SET, 2019 Autor: José Roberto Abramo
Qual a importância de se viver o Folclore? (18/09/2019)

 

Qual será a etimologia da palavra Folclore?

A palavra tem origem no inglês, em que “folklore” significa sabedoria popular. A palavra é formada pela junção de folk (povo) e lore (sabedoria ou conhecimento).

A palavra Folclore foi cunhada em 22 de agosto pelo arqueólogo William J. Thomas. A visão de Thomas era a de que se deveria valorizar a cultura popular e assim, fazer levantamentos de dados sobre usos, tradições, lendas, baladas religiosas, contos da Inglaterra. O manifesto dessa posição saiu em carta em uma revista no dia 22 de agosto. Então…aí está a origem da homenagem.

Definição

O que engloba o Folclore, para que possamos ter uma definição? Seriam um conjunto de tradições, lendas, crenças populares, superstições, provérbios, adivinhações, jogos, artesanatos, contos, cantigas, tipos de brinquedos, poesias, enfim o estudo da mentalidade popular, que vai variar de país para país, é claro, mas também de região à região de um mesmo país. Vem dos costumes da terra. Uma característica interessante do Folclore é que não se conhece autoria do conjunto das tradições elencadas acima, a transmissão se dá dos pais aos filhos, que o fazem oralmente. Em suma, vem a ser a história não escrita de um povo, mas vivida.

A composição de um povo, baseado nas etnias predominantes fornecem as fontes para a formação do Folclore. No Brasil, três etnias contribuíram para a formação do nosso Folclore: Indígenas, o branco português e os negros. Por isto nosso Folclore é um dos mais ricos do planeta.

 

O Folclore como patrimônio cultural

Não resta a menor dúvida de que o Folclore é um Patrimônio Histórico e Cultural. Porque é como expressão de um povo, por isto faz parte de riqueza cultural e, portanto, está inserido no patrimônio cultural.

As características

A primeira delas é que o Folclore é antigo. Desde quando? Desde a formação da nação.

O Folclore é anônimo. Não é necessariamente uma característica que se vê obrigatória. Porque em alguns momentos cabe um historiamento dos eventos formadores de uma tradição. Como ele, no mais das vezes, tem transmissão oral, fica perdido nas fontes ou estas passam a ser mitificadas na História.

A partir da transmissão, que pode também ser por livros e História, ele se populariza pelo povo. Esta é uma característica que o faz ser celebrado.

A espontaneidade é outra característica do Folclore. Se cria, se espalha, é cultuado, cantado, contado, assimilado, às vezes tomado como parte de uma verdade oculta. Mas, tudo isto é imaginação e criação popular.

O Folclore é assim, ao invés das pessoas inventarem a palavra, elas vão além, inventam textos e estórias, cantos e contos, brincadeiras e achincalhes, figuras míticas e às vezes até místicas.

Outros povos têm em seu folclore personagens, tais como Cavaleiro Sem Cabeça, que vem de uma lenda medieval da França. Gashadokuro é uma figura sobrenatural do folclore japonês. Na lenda japonesa, é um esqueleto gigante. Chorona: personagem presente no folclore mexicano, que fala de uma mulher aos prantos e que ficava às margens de rios e lagos. O Pé-grande já apareceu em obras de ficção como jogos, desenhos e até filmes. Talvez a lenda urbana mais famosa dos Estados Unidos. E como tal virou figura folclórica. Existem muitos outros….

Brasil

O Brasil, naturalmente, possui o seu conjunto de elementos constituintes de nosso folclore. Os estudiosos são unanimes em afirmar que danças, festas, lendas, jogos e personagens de nosso Folclore, são de origem europeia, portuguesa sobretudo, indígena e africana. É certo, portanto, que tem havido ao longo de nossa formação uma fusão de elementos culturais.

Personagens do folclore brasileiro

A mula-sem-cabeça, o saci-pererê, a iara, o Boto Cor-de-rosa, o curupira, boitatá, Cuca, negro d’água, Bicho-Papão, entre outros, são figuras de nosso folclore.

Cada personagem do Folclore tem uma lenda e muitas lendas a mais, além destes.

O escritor Monteiro Lobato nas suas ficções trouxe muito do nosso Folclore para a visibilidade. Porém, o que Lobato fez foi ficção. Ao colocar figuras folclóricas em suas ficções adaptando-as para crianças, que pudessem assimilar, ele deu características aos personagens oriundos do folclore, que eles não tinham. Assim figuras como o Saci-Pererê, não são exibidas pelo nosso folclore com as características dos livros infantis de Monteiro. Mas, em nosso imaginário, ficou esta presunção de conhecimento. Lobato teve um trabalho primoroso, mas é preciso resgatar a exatidão das tradições populares

Por acaso, o nosso herói o Saci-Pererê, é uma figura por demais híbrida. Vejamos, nas palavras do professor O escritor Fernando Vrech

(…) A lenda do saci é muito interessante. Podemos ver incorporado nessa lenda mitos do mundo todo: Ele trança as crinas dos cavalos, como fazem os duendes europeus, é negro como na mitologia africana, fuma cachimbo como o curupira indígena e possui um gorro encantado como o Trasgo de Portugal.

O que acontece é que a lenda do saci foi contada, ao longo dos séculos, pelo povo brasileiro, na sua forma mais miscigenada: escravas negras, boas contadoras de histórias; famílias portuguesas; índios.

O nome saci, vem de uma lenda indígena. Seria o saci original. Um anão indígena, conhecido também como iaci e matimpererê, que protegia as matas tupiniquins; era também uma divindade das plantas medicinais. E… pasmem agora… tinha duas pernas. Mas quem arrancou uma perna do coitado de saci?

Essa característica surgiu quando as escravas negras contavam sobre a lenda do saci. Elas ouviam sobre uma divindade indígena guardadora dos segredos das plantas medicinais e identificavam essa lenda com o deus africano das plantas medicinais, de uma perna só, chamado Ossaim. Essa reinterpretação, de uma cultura para a outra, de uma lenda ou divindade, se chama sincretismo. (podemos conversar mais sobre em um artigo futuro, que tal?)

Similarmente com esse sincretismo entre mitologia tupi e africana, quando a lenda do saci foi contada por portugueses, recebeu um gorrinho de Trasgo.

Seria a lenda do curupira bobinha como aprendemos na escola?

O Brasil é uma bela mistura de culturas, não acha? (…)

A descrição do professor nos mostra que aquele Saci que vemos em Lobato é muito bom para a estória e para as crianças. Só não é a realidade deste lado do Folclore. Poderíamos citar outros personagens que apareceram nas ficções de Monteiro Lobato, com certeza.

Músicas:

Algumas músicas conhecidas por muitas crianças de várias regiões do país são:

Pombinha Branca, O Cravo e a Rosa, Marcha Soldado, Alecrim, Se essa rua fosse minha, Escravos de Jó, Fui no Tororó, Peixe Vivo,  Samba Lelê, Roda Pião, Sapo Cururú e muitas outras não tão conhecidas.

O Folclore nos ajuda a conhecer as tradições de um povo e tudo o que caracteriza uma região. As implicações no tempo histórico e no espaço geográfico. Assim, se estende à diferentes áreas da cultura e traz enriquecimento neste quesito. Podemos dizer que também a interpretação psicológica de um povo está ali.

No folclore vemos as raízes étnicas de um povo, investigamos as sociedades humanas e características dos grupamentos sociais.

O fundamental então é que verifica-se a importância das tradições de um país e de suas regiões.

 

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